No contexto do recente lançamento da série Oscuro Deseo, da Netflix, conversamos com a bem-sucedida atriz mexicana sobre sua participação neste projeto e apresentamos sua carreira.

Antes de fazer parte de um dos fenômenos musicais e televisivos mais bem-sucedidos da era moderna, Maite Perroni assumiu a tarefa de estudar atuação no CEA e, como qualquer esforço, a recompensa veio: “O RBD veio depois de ter feito várias testes para a novela, tive muitas ilusões e sonhos”.

Entre um grande número de audiências de TV, turnês de música mundial e um séquito de fãs como poucos que até hoje pedem por reencontro, esse projeto a levou a viver uma grande experiência que apenas marcaria o início de sua carreira. “Gostei muito do RBD e tudo o que vivemos foi incrível, mas quando chegou o fim, valorizei e fiquei muito agradecida por ter vivido”.

Ela não ficou em um só lugar, pois tinha muitos planos e objetivos à sua frente, “nos últimos meses da turnê de despedida da RBD eu já estava gravando a novela Cuidado Con El Angel: eu estava gravando a novela de segunda a sexta-feira e nesse mesmo dia, viajava para o país onde estava o show do RBD. Foram tempos inesquecíveis e muito trabalho; também Cuidado Con El Angel estava tendo uma classificação surpreendente; Fiquei feliz e muito animada com tudo o que estava passando e o que estava por vir”.

E assim foi, assim tem sido. Voltamos no tempo para conhecer uma mulher que está subindo, se reinventando como atriz e que aspira a continuar aprendendo e entendendo a indústria audiovisual sob diferentes pontos de vista. Ela estreou recentemente na série da Netflix ‘Oscuro Deseo’, onde interpreta Alma Solares, uma prestigiada advogada e professora universitária. Esse era o pretexto perfeito para ter um encontro especial com ela.

Quando ou de qual personagem você considera que deixou de ser “Maite la de RBD”  para ser Maite Perroni, uma das mulheres mais reconhecidas e amadas pelos mexicanos?

Com a personagem Marichuy de Cuidado Con El Angel, esse personagem foi decisivo para mim, houve um antes e um depois desse projeto, sendo que Marichuy era um personagem carinhoso, típico de histórias de Cinderela, histórias de romance que são histórias de aspirações. Ela é uma personagem que continua me surpreendendo hoje devido à empatia que causa nas pessoas e com quem imediatamente senti que estava começando a ser minha própria carreira como protagonista de novelas.

Anos mais tarde, em El Juego de Las Llaves, a quebra de estereótipos é abordada, o que você acha disso? Quais são os estereótipos que realmente devemos acabar?

Somos uma sociedade cheia de julgamentos e estereótipos, eles nos ensinaram o que é certo e errado desde que somos crianças, e somos uma consequência do que a sociedade impõe, o desafio é ser você mesmo, ter clareza sobre quem você é, o que deseja digamos, o que você quer fazer, com o que se identifica, o que faz parte da sua história e o que você vive é simplesmente uma herança social, que não é exatamente o que representa você. Esse é o desafio, romper com seus próprios preconceitos para ser você livremente.

Recentemente, em Oscuro Deseo, você foi uma professora de direito, quanto você teve que pesquisar ou estudar sobre esse personagem? Você usou outros personagens como referência para desempenhar esse papel?

Trabalhei de mãos dadas com meus diretores e o texto que nossos escritores nos deram, em vez de pesquisar a lei, trabalhei no papel das mulheres em nossa sociedade e na importância da divulgação de informações, há muito trabalho a ser feito em relação a este assunto. E Alma, minha personagem, é uma mulher preocupada e ocupada defendendo os direitos das mulheres.

Como foi trabalhar com os diretores Pedro P.Ybarra e Kenya Márquez?

“Tanto para Piti como Kenya foram grandes líderes em este projeto, eles como diretores trabalharam em equipe e a beneficio da história, isso é muito importante porque partindo deles todos os demais departamentos e atores trabalhamos pelo mesmo objetivo e isso se agradece. Ter líderes sólidos sendo um bom exemplo é muito valioso e importante”.

Vamos falar da trama em geral e as peculiaridades em que se deve por atenção o espectador ao sentar de frente a TV:

“Oscuro Deseo é uma história cheia nuances, mistérios, mentiras e traições. O espectador entra nas cabeças de cada personagem e descobre o quão complexo é o ser humano, mais ainda quando se encontra vulnerável. Em esta série nada é o que parece”.

Este personagem marca um novo ciclo em sua carreira ou é parte de um que você já estava trabalhando?

“É parte de um processo de muito tempo que já vinha trabalhando, de tomar decisões, de se me arriscar e de querer fazer uma mudança e nada chega da noite pro dia e creio que me encontro com a oportunidade de fazer ‘Oscuro Deseo’ em um momento de plenitude, segura de mim e com a necessidade de seguir crescendo. Mas não posso deixar de lado El Juego de Las Llaves, definitivamente essa chave foi a que me abriu a porta de um novo rumo e a oportunidade de ser parte de Juego me desafiou e me moveu de lugar, por isso creio que quando chegou ‘Oscuro Deseo já vinha mais armada e cada passo dados é uma ligação que se une ao outro e assim vai formando a história. Cada coisa que tenho feito tem me trazido a este lugar. E me sinto muito agradecida com as pessoas que tem acreditado em mim e me dado oportunidades, gente que apostou por mim e minha necessidade de mudança, porque isso sim não é fácil, tem que lutar contra a corrente para poder demonstrar o que pode conquistar como atriz”. 

Sobre sexualidade livre da mulher e o que expressa sua personagem através da construção psicológica. Que opinião tem a respeito em um nível social?

Que devemos deixar de julgar a sexualidade feminina, que tem que educar as novas gerações desde um lugar de entendimento diferente, a sexualidade pode viver e desfrutar com respeito, com honestidade e sem etiquetas, temos que deixar de premiar os homens por suas “conquistas” e deixar de minimizar e ofender a mulher por seus “pecados”, isso não deve ser assim. Falta muito por fazer’.

Como se vê como atriz daqui alguns anos, tem imaginado esse momento? Investigando um pouco, soubemos que gosta de produzir e criar conteúdos. Que papel desempenharia e que temas gostaria de abordar?

“Não sei com exatidão, o que sim sei é que isto apenas começa, tenho muita coisa a fazer e muitas histórias a contar. Entretanto estou, observando, aprendendo, escrevendo ideias, temas que me parecem relevantes e já, o tempo e as circunstancias dirão como se materializará as coisas. Os processos criativos levam seu tempo e tem que seguir sua própria vida, não há regras, mas sim tem que trabalhar e em algum momento acontecerá”.

Créditos: Site MaiPerroni (Tradução e Adaptação) & Maxim México (Entrevista)

Maite Perroni em entrevista para Maxim México

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