Seu talento como atriz lhe permitiu estrelar inúmeras séries e novelas. Suas diferentes interpretações a levaram a conquistar o carinho do público.

E embora o público a tenha visto em personagens que anseiam por um final feliz, nos últimos anos Maite Perroni mostrou que, para um roteiro que a faça se apaixonar, deve ser complexo e refletir mais do que uma história de amor.

Em suas próprias palavras, a intérprete afirma ser uma mulher que busca a todo custo um conceito em sua vida pessoal e profissional: a evolução.

E é sob essa visão que seu projeto mais recente, Oscuro Deseo, chega.

Durante as primeiras semanas, esta transmissão foi muito bem recebida, ocupando os primeiros sites de streaming da Netflix em diferentes países da América Latina, incluindo o México.

Sem dúvida, o enredo desta série vai além do comum.

Centra-se precisamente em Alma Solares (Maite Perroni), professora especializada em feminicídio, cansada da rotina e com a sensação de que vive um casamento que cai na monotonia.

Incentivada por sua melhor amiga Brenda (María Fernanda Yepes), durante uma viagem decide viver uma aventura com o jovem Darío Guerra (Alejandro Speitzer).

No entanto, este novo romance cria complicações, consequências e dúvidas infinitas em sua esfera social.

Embora a série tenha sido especialmente bem recebida pelo público feminino, pela forma como empodera as mulheres, a própria atriz afirma que não se trata de uma série que visa ensinar, mas ir mais longe.

Não acho que as mulheres tenham que aprender alguma coisa (com a série), não é uma questão de gênero, de dar uma aula, pelo contrário.

Em primeiro lugar, eu começaria justamente por parar de apontar as mulheres para viver sua sexualidade, parar de rotular as mulheres por suas decisões”, pontua Perroni em entrevista por e-mail.

Até a intérprete aponta o fato do machismo que existe atualmente nas sociedades latinas, especialmente nas sociedades mexicanas, tem que mudar o mais rápido possível.

Ela lembra que, infelizmente, ainda existem vários estereótipos a serem quebrados e deixados de lado.

Que é hora de promover muito mais liberdade e felicidade para as mulheres. Longe dos padrões estabelecidos.

“Como sociedade, estamos acostumados a recompensar os homens por suas conquistas e triunfos sexuais, por outro lado, insultamos ou minimizamos as mulheres por seus laços sexuais ou por viverem sua sexualidade em liberdade”, afirma.

E embora a série se destaque por suas cenas de paixão, perfeitamente cuidadas e que têm gerado muita conversa nas redes sociais, a liberdade sexual não é tudo.

A transmissão, dirigida por Pitipol Ybarra e Kenya Márquez, aponta vários temas da atualidade.

Uma vez que combina perfeitamente em sua trama situações como cyberbullying, femicídios e corrupção.

“Em Oscuro Deseo, sexo não é a coisa mais importante, estamos tratando de questões de maior importância como aliciamento, infanticídio, feminicídio, assédio sexual, corrupção.

“Foi justamente essa mistura de temas que nos fez contar uma história bem diferente. Sim, a questão do sexo gera ruído, mas tem muito mais”, especifica.

Na transmissão, todas essas situações se entrelaçam perfeitamente no gênero thriller, de modo que a narrativa se afasta do romântico para se concentrar nas intrigas, principalmente no caso do assassinato de um dos personagens principais.

“Eu realmente gostei de trabalhar em um gênero como o thriller. Ser algo totalmente novo para mim implicou um grande aprendizado e a vontade de voltar a isso em projetos futuros ”, ressalta.

Como parte da série, a personagem interpretada por Maite Perroni é uma importante porta-voz e lutadora pelos direitos das mulheres.

Tema que, garante a atriz, tem maior força e impacto na sociedade mexicana.

Especialmente quando, nos últimos anos, os direitos das mulheres assumiram uma força importante no debate público e cada vez mais pessoas os defendem e buscam torná-los uma realidade para todos.

“Ainda há muito por fazer e é preciso dar voz aos direitos das mulheres, aos direitos humanos em geral.

“Assim como devemos apontar também os inúmeros crimes e cifras que permanecem arquivados sem resolução, não é possível normalizar o que está acontecendo em nosso país, ou em si mesmo, em nossa sociedade.

“Cada um de nós, de nossas trincheiras, tem que agir sobre o assunto, mesmo que não seja calando ou colocando essas situações na mesa do debate público”, afirma.

A intérprete também conta que ficou impressionada com a forma como o assédio e o abuso sexual online, mais conhecido como aliciamento, são tratados.

Um problema que, ela garante, às vezes não recebe a devida atenção.

“Acho muito importante tocar nesse assunto e continuar relatando essa realidade, que às vezes esquecemos.

“Aliciamento é um crime e como tal deve ser punido. Na série podemos ver claramente como é fácil uma pessoa por meio de um perfil falso estar assediando um menor. E isso acontece na vida real, queria que fosse só ficção”, detalha.

E insiste que, para além das instâncias jurídicas, é um problema ao qual se deve prestar atenção e expor muito mais.

“Temos que continuar educando e informando os mais jovens para que as redes sociais sejam uma ferramenta no dia a dia e eles não acabem sendo vítimas delas”, afirma.

Embora Perroni seja uma usuária regular de redes sociais, externa quem realmente se preocupa com o que compartilha nelas.

Principalmente porque ela prefere focar em seus projetos profissionais e não tanto em sua privacidade.

“Para mim (as redes sociais) têm sido uma ferramenta de trabalho que sem dúvida acrescenta, mas sempre fui muito claro em que medida a minha vida pessoal faz parte disso”, destaca.

Sua vida com uma saudável distância

Ciente da complicada situação que se vive em 2020, devido à pandemia provocada pela Covid-19, Maite Perroni optou também por se isolar o máximo possível.

Ela conta que ficar longe dos entes queridos não é uma situação fácil, mas sabe que são ações que devem ser realizadas para o bem-estar de todos e para que esta crise de saúde seja resolvida o mais rápido possível.

E confessa que nesta pandemia sente falta das demonstrações de carinho aos amigos e familiares, sem preocupações.

“Preciso de interação social, de um bom abraço, de liberdade para compartilhar sem me sentir limitado o tempo todo”, destaca.

A atriz explica que momentos como esses de crise trazem grandes lições, principalmente quando se trata de valorizar determinadas áreas pessoais.

“Acho que o mais importante para mim agora é o bem-estar mental, físico e emocional.

“Profissionalmente, estou esperando poder retomar projetos que ficaram em hiato, mas sei que tudo vai dar certo”, diz.

Ela ainda destaca que outro aspecto que sente falta por causa da pandemia é a sua vida de viajante.

“Adoro viajar é uma das coisas que mais gosto de fazer, mas definitivamente a falta de tempo tem sido a razão muitas vezes que não fui capaz de fazer tanto quanto gostaria pessoalmente.

“Antes da pandemia, eu viajava muito para o mesmo trabalho, mas nesses casos você não precisa escolher os locais, apenas aproveite quando o horário permitir.

Então, qual é o seu destino pendente?

“Tenho muitas viagens para fazer, mas a Índia está na minha lista, no topo. Gostaria de passar alguns meses para desfrutar do lazer, para conhecer a fundo sua cultura, sua gente. E penso que é precisamente por isso que ainda não fiz essa viagem, insisto que a falta de tempo e alguns outros compromissos não o permitiram.

“Mas assim que possível, acho que será um plano prioritário”, afirma.

Sua visão profissional

Com uma longa carreira tanto na atuação como na música, Maite Perroni garante que mais do que nunca o público está em busca de novos projetos.

“É preciso saber falar sem restrições sobre diversos temas, para ver na tela uma narrativa que carregue autenticidade e normalize muitos temas, inclusive a sexualidade, sem julgá-la”.

Emissões como El Juego de las Llaves, Mujeres Asesinas, Rebelde, para citar apenas alguns, fazem parte dos ativos de Maite Perroni.

E a intérprete garante que poder explorar vários gêneros e papéis tem sido fundamental em sua vida profissional.

“Tenho a satisfação de poder fazer personagens e gêneros diferentes, é algo que definitivamente me motiva, portanto, gostaria de continuar explorando nessa linha.

“Sem ser classificado em um único tipo de história ou roteiro. Não sou das atrizes que tem restrições, pelo contrário, acho que sempre acrescenta ser capaz de fazer coisas diferentes que me permitem continuar crescendo e saber tudo o que tenho a oferecer como profissional ”, destaca.

Créditos: Site MaiPerroni (Tradução e Adaptação) & Air Femme (Entrevista)

Maite Perroni: Mais do que uma rebelde, uma mulher determinada, livre e madura (Air Femme)

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