Maite Perroni estampa capa da revista Caras Brasil e fala sobre violência digital

Prestes a completar 43 anos no próximo dia 9 de março, Maite Perroni vive uma fase marcada por presença, consciência e escolhas cada vez mais firmes. Longe da pressa e da necessidade de agradar aos outros, a atriz mexicana — que conquistou o público brasileiro desde sua interpretação como Lupita, na novela Rebelde, exibida em 2005, no SBT — reflete sobre maturidade, maternidade e autoestima com a serenidade de quem aprendeu a se ouvir. “Hoje me permito viver a partir da honestidade e não da exigência constante”, afirma.

Para Maite, a força da mulher que se tornou não está em ter todas as respostas, mas em não depender mais da aprovação externa. “Antes eu agia motivada pela expectativa, pela pressão para cumpri-las. Hoje, há clareza sobre o que eu quero e o que não estou disposta a negociar”, reflete a artista.

A maturidade trouxe leveza e coragem. Leveza para soltar o que não lhe pertence e coragem para impor limites, mesmo quando isso causa desconforto. “Comecei por me respeitar. Isso mudou profundamente a minha forma de viver”, avalia.

Nesse processo, a atriz também precisou abrir mão de conceitos que a acompanharam por anos, como a ideia de que deveria se encaixar em uma imagem pré-determinada ou de que seu valor estava ligado à forma como era percebida. “Também precisei desaprender o silêncio. Entendi que abrir conversas incômodas e usar a voz com consciência é uma forma de transformação”, conta ela, que embora tenha estrelado diversas produções para a TV e o streaming, agora enxerga o sucesso de outra forma: é ter tempo para si, para a família, escolher projetos que façam sentido e sentir paz com as próprias decisões. “Já não meço apenas através das minhas conquistas profissionais, mas em bem-estar emocional e equilíbrio interno”, entrega a artista.

Mãe da pequena Lía (2 anos e 10 meses), Maite sofreu duras críticas às mudanças de seu corpo, especialmente após a maternidade. “Eu nunca pensei que o meu peso se tornaria um tema tão relevante. Estou vivendo o meu presente, criando a minha filha e vivendo uma vida real. Eu tinha três opções. A primeira seria me vitimizar, chorar e me sentir supermal por toda essa violência digital. A segunda, não dizer nada para não tornar esse tema maior. A terceira seria abrir uma conversa sobre esse tema que não é só sobre mim. Embora não digamos, todos nós lutamos com a balança e tentamos mudar a nós mesmos para nos encaixarmos nos estereótipos que a sociedade nos impôs, esquecendo de quem realmente somos”, desabafa.

Longe de se abalar, ela ainda descreve o momento como libertador. “Nem todas as mulheres são iguais, nem todos os corpos vivem os mesmos processos. Cada pessoa se redescobre em sua própria experiência, e é preciso abraçar essas mudanças com amor e empatia”, diz ela, que percebeu a importância de se posicionar publicamente. “Muitas mulheres vivem isso em silêncio. Decidi falar a partir da honestidade e estabelecer limites com respeito”, explica a mexicana.

Casada com o produtor de TV Andrés Tovar (43), Maite ainda garante que a maternidade transformou profundamente sua relação com o corpo e com o mundo. “Questiono por que o corpo feminino continua sendo um território de julgamento e exigência constante”, reflete ela. Em casa, ela também mudou suas prioridades. “Não se trata apenas de fazer o que é preciso por um filho, mas de estar junto, de se conectar, de ser um lugar seguro para ele”, define a atriz, que fez as pazes com uma versão menos regrada. “O equilíbrio não é perfeito nem constante. Há dias em que uma parte precisa de mais atenção do que a outra, e tudo bem”, completa. Com a filha, Maite aprende diariamente sobre amor incondicional, limites e conexão genuína. “Lía me transformou em todos os sentidos. Descobri uma nova forma de amar”, afirma.

Com mais de 20 anos de carreira, Maite garante que seu maior desafio sempre foi não se repetir. Já a fase mais libertadora veio com projetos que lhe permitiram explorar novos horizontes, como as séries Jogo das Chaves, do Prime Video, e Desejo Sombrio e Três Vidas, ambas da Netflix. “Foram trabalhos que me deram a oportunidade de me redescobrir como atriz e dar voz a histórias curiosas, que geraram várias conversas”, avalia a estrela.

Mais do que ser seletiva, Maite busca sentir a necessidade real de contar uma história. A música, que marcou intensamente sua carreira com a banda RBD, formada por meio da telenovela infantojuvenil, segue como parte essencial de sua expressão, ainda que a atuação seja seu principal foco. “Me considero muito sortuda por poder me realizar tanto na música quanto na atuação. Sem dúvida, aprendi muito, e poder me expressar de ambas as formas enriqueceu muito a minha vivência e minha realização”, declara.

Reprodução: Caras Brasil